Jorge Luis Borges, um escritor na periferia, de Beatriz Sarlo
Ao ser convidada para ministrar uma série de conferências sobre Jorge Luis Borges na Universidade de Cambridge, nos anos 1990, a intelectual argentina Beatriz Sarlo se viu sob a contingência de ser uma compatriota do escritor num espaço que era alheio a ambos, mas no qual este era lido em função de sua universalidade evidente, em vez de algum elemento tipicamente nacional que pudesse apresentar. Sem negar que a obra de Borges de fato se presta a esse tipo de leitura, Sarlo propôs uma investigação de suas relações com o pano de fundo local a fim de demonstrar que há ali uma real influência das questões nacionais e que são elas determinantes para as formulações estéticas que depois contribuirão para caracterizar a própria universalidade: a diferença em relação a outros escritores - e o motivo do tom nacional não ser de imediato reconhecido - vem de que em Borges não há propriamente a representação de elementos nacionais para discutir a nacionalidade, mas antes a formulação de uma pergunt...