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Mostrando postagens com o rótulo Companhia das Letras

O Aleph, de Jorge Luis Borges - Emma Zunz, A Casa de Astérion e A Outra Morte

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Emma Zunz Emma Zunz começa com o recebimento pela protagonista homônima de uma carta na qual é dito expressamente que "o senhor Maier [seu pai, que morava no Brasil] ingerira por engano uma forte dose de Veronal e falecera". Segue-se a descrição do mal-estar sentido por Emma e logo no início do terceiro parágrafo já é dada a informação de que se tratava de um suicídio: o caminho percorrido pela personagem entre a afirmação de uma morte acidental e a convicção íntima do suicídio não é explicitado. O suicídio, por sua vez, une-se no interior de Emma à confissão que o pai lhe fizera de que Loewenthal, com quem trabalhava, era o ladrão, derivando dessa circunstância e do erro no reconhecimento do verdadeiro culpado a também relembrada série de infortúnios que acometeram o pai e o afastaram para longe. Loewenthal ainda mantém contato com Emma por ser um dos donos da fábrica onde trabalha. No quarto parágrafo, Emma vive a sexta-feira como de costume, trabalhando na fábrica e conve...

O Aleph, de Jorge Luis Borges - análise de O Imortal e O Morto

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Os dois contos que abrem o livro O Aleph , de Jorge Luis Borges, a partir dos títulos estabelecem entre si um paralelismo ou relação de complementaridade, que vai além e se desdobra no que é contado e naquilo que cada um encerra da personalidade do escritor. Em O Imortal e O Morto estão reunidos os principais vetores da literatura borgeana: de um lado, a realidade que é feita e lida a partir dos livros, a erudição amplíssima e os questionamentos de cunho metafísico; de outro, o passado heróico da Argentina, a vida de aventuras que se expande dos arrabaldes de Buenos Aires em direção aos pampas, os atos de bravura dos " gauchos" , duelos e emboscadas; um e outro heranças de família, cujos integrantes, ora intelectuais ora indômitos conquistadores, colonizaram o país e se bateram nas lutas da fundação. A integração entre ambos os polos ocupou Borges no curso de sua obra, de modo que a sequência dos contos não é casual, mas antes uma metonímia do que virá. O Imortal O Imortal ...

O Complexo de Portnoy, de Philip Roth

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Já falei por aqui mais de uma vez sobre o sucesso da minha experiência com os audiobooks; porém, sempre que o fiz, foi em termos de dinamização das leituras, facilidade de acesso e coisas do tipo. Enfim, a grande graça dos audiobooks até então estava, para mim, em serem um formato útil à minha vida de leitor. No entanto, com a escuta recente do audiobook d'O Complexo de Portnoy, de Philip Roth, minha visão sobre o formato foi elevada a um nível todo novo e superior, que me fez enxergar a vastidão de suas possibilidades em termos de interpretação dos textos pelos narradores. É a primeira vez que entro em contato com a obra de Roth. Não tinha especial interesse em conhecê-la, tampouco em evitá-la, tratava-se apenas de um escritor entre tantos outros, que estava naquela fila infinita de nomes por conhecer em razão da celebridade crítica, mas sem outros adjetivos que o ajudassem a passar na frente dos colegas. Sabia que ele tinha certas obsessões temáticas, entre elas a vi...

Um Coração Ardente, de Lygia Fagundes Telles

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Tenho três livros de Lygia Fagundes Telles na estante: A Estrutura da Bolha de Sabão, As Meninas, e um terceiro, de cujo título nunca me recordo. Comprei-os numa dessas promoções de internet, um pouco pela oportunidade do preço, um pouco pela pretensão de ter uma biblioteca de literatura brasileira bem completa, um pouco ainda por saber que Lygia é uma escritora importante; nada mais. Não costumo me esquecer dos livros que tenho; portanto, essa circunstância de sempre esquecer-me do terceiro título de Lygia serviu para singularizá-los todos no meu imaginário. Para singularizá-los, repito, não para os recordar. Os anos se passaram até que, sem saber por qual motivo, finalmente li A Estrutura da Bolha de Sabão. Lembro-me de que fiquei bem impressionado com a autora, a ponto de não me esquecer do título de um dos contos, Confissão de Leontina, em que a paulista e intelectual Lygia se metamorfoseia numa mulher brasileira pobre e iletrada através de uma voz incrivelmente verossímil. A...

Resumo de Um Coração Ardente, de Lygia Fagundes Telles

Foi através da escuta de audiolivro que travei contato com Um Coração Ardente, de Lygia Fagundes Telles. Por ouvir os audiolivros em movimento, não tenho condições de anotar minhas impressões a respeito. Assim sendo, e por ter gostado sobremaneira dessa coletânea de contos, resolvi sentar-me e escutá-la detidamente, anotando enquanto escutava um resumo telegráfico. O propósito principal dessa empreitada era obter subsídios a fim de escrever um texto mais consistente a respeito do livro para este blog; percebi, no entanto, que as anotações que resumem os contos poderiam servir a outras pessoas - principalmente àquelas que já leram o livro e pretendem apenas recordar seus lances principais -, e por isso as disponibilizo neste blog. Desde já peço desculpas por eventuais erros na grafia dos nomes próprios, todos decorrentes do fato de não dispôr do livro físico. Um coração ardente: À beira da janela. Velho. Juventude. Vários gêneros literários. Um coração ardente. Pol...

O Eleito, de Thomas Mann

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O Eleito, de Thomas Mann, é por ora o último livro do autor publicado pela Companhia das Letras como parte do esforço de trazer suas obras completas de volta ao público, e o último que li. Desde que a editora começou essa empreitada, tenho acompanhado o ritmo das publicações para me inteirar da obra do escritor alemão, de modo que não me apresso procurando seus livros já publicados em português mas cuja reedição está pendente; nesse percurso, li todos os reeditados, Doutor Fausto, Os Buddenbrook, A Morte em Veneza, Tonio Kröger, A Montanha Mágica, As Cabeças Trocadas, As Confissões do Impostor Felix Krull e, por fim, O Eleito. Os Buddenbrook se tornou meu livro favorito da vida, coisa rara para mim, que não sou dado a livros da vida. Thomas Mann, por sua vez, se tornou meu autor favorito, talvez o único, já que também não sou dado a autores, estilos ou literaturas nacionais favoritas. O que impressiona em Mann é a regularidade da sua excelência: não considero nenhum dos oi...