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O Reino, de Emmanuel Carrère

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Tão logo alguém começa a estudar literatura mais a fundo, envolver-se mais de perto com as ciências humanas e os próprios fatos históricos, percebe com surpresa que a religião - e também os mitos - é uma constante das grandes produções da cultura, seja como objeto imediato, seja como interlocutora com a qual se dialoga, inclusive para discordar com veemência. A surpresa contemporânea é facilmente explicável pela laicidade do corpo social, que se manifesta não só como separação entre Religião e Estado, mas também como desencanto com a transcendência e ausência de cultura religiosa. Todavia, essa laicidade não explica como grandes obras de arte e do pensamento continuam a ser produzidas: afinal, todas elas não nascem de alguma forma do espanto com o mundo, da formulação de perguntas essenciais que guardam relação próxima com o transcendente? Se o desencanto é total, do que se têm nutrido aqueles que estão por trás dessas grandes obras? Por acaso houve alguma revolução no modo de pro...