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Édipo Rei, de Sófocles comentado por Bernard Knox em Édipo em Tebas

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Édipo Rei, de Sófocles, é uma peça que parte do mito grego e avança pela cultura ocidental marcada por dois grandes leitores: Aristóteles, que em sua Poética indica a obra como exemplar dentro do contexto mais geral de considerações estéticas que formula; e Freud, que no século XX desenvolve um conceito fundamental para a então nascente Psicanálise justamente baseado na personagem homônima. A força desses três centros de irradiação - mito, Filosofia, Psicanálise - involuntariamente acaba tornando mais difícil o trabalho do intérprete que pretende percorrer outros caminhos de leitura; nesse sentido, a obra de Bernard Knox - Édipo em Tebas - surge como um marco importante. O que o estudioso faz é investigar a linguagem empregada por Sófocles em comparação com os usos que se fazia do grego de então em outros domínios da vida, tais como o Direito, a Medicina, a Matemática e a Filosofia, tudo de modo a demonstrar que o dramaturgo não se limitou a trabalhar o material mítico artisticamente, ...

Oréstia, de Ésquilo - Agamêmnon, Coéforas e Eumênides

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A Oréstia , ciclo de tragédias escritas por Ésquilo que tem início com Agamêmnon , passa por Coéforas e termina com as Eumênides ocupa em razão do seu enredo uma posição central dentro da literatura e do mito gregos, na medida em que a Dinastia dos Atreus, cuja história conta, está implicada entre os motivos próximos da Guerra de Tróia, o que significa que desempenha protagonismo na Ilíada, de Homero, além de se desdobrar em outras peças nas quais são personagens destacadas Ifigênia, Electra e Orestes; também fornece o relato da consolidação dos deuses olímpicos diante dos homens e dos deuses antigos, feito cuja representação máxima é a transformação das Fúrias nas Benevolentes cultuadas aos pés da areópago. Agamêmnon tem início com uma cena emocionante: uma sentinela fora colocada em vigília para recepcionar um sinal que indicasse o fim da Guerra de Tróia. O local é Argos, cidade cujo rei, Agamêmnon, saiu há vários anos liderando os gregos numa expedição de guerra destinada a vinga...

Autobiografia: o mundo de ontem, de Stefan Zweig

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“ Mas a nossa geração aprendeu a fundo a boa arte de não lamentar o passado, e, quem sabe, a perda de documentos e detalhes possa vir a significar um ganho para este meu livro. Pois eu considero nossa memória um elemento que não conserva casualmente um ou perde outro, mas sim uma força que ordena cientemente e exclui com sabedoria. Tudo o que esquecemos de nossas próprias vidas, na verdade, já foi sentenciado a ser esquecido há muito tempo por um instinto superior. Só aquilo que eu quero conservar tem direito de ser conservado para outros. Portanto, recordações, falem e escolham no meu lugar, e forneçam ao menos um reflexo da minha vida antes que ela submerja nas trevas! ” [Do prólogo - p. 18.] Errante pelo mundo, distante do que lhe foi familiar, confrontado pelo futuro que se apresenta como brumas e estampidos brutos, Stefan Zweig se encontra nu no tempo e no espaço, capaz de se apoiar tão somente no que a memória lhe legou, matéria que, sem sua voz, periga se perder para sempre nas...

Joseph Fouché, de Stefan Zweig

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Ler é um ato de incoerência. Se precisasse extrair uma única lição da leitura de Joseph Fouché, de Stefan Zweig, seria essa. Meu primeiro contato com o famoso escritor austríaco foi marcado ao mesmo tempo pelo interesse e pela sensação de que não devia estar lendo o livro. Ao final, só pude concluir - e reforçar uma percepção antiga - que nenhuma leitura jamais será feita em condições ideais, e pressupô-lo significa ficar parado entre as estantes da biblioteca do mundo, sem saber por qual livro começar. Joseph Fouché foi uma personagem real da virada do século XVIII para o XIX, homem público francês que desempenhou os mais importantes papéis desde a Revolução de 1789 até a restauração dos Bourbon, com a volta ao trono de Luís XVIII, passando, como não poderia deixar de ser, pelo período marcante e incontornável do governo de Napoleão Bonaparte. A lembrança que contemporâneos e posteridade reservaram a Fouché certamente não foi das melhores: o sucesso político e a formação da fortuna p...