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Joseph Fouché, de Stefan Zweig

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Ler é um ato de incoerência. Se precisasse extrair uma única lição da leitura de Joseph Fouché, de Stefan Zweig, seria essa. Meu primeiro contato com o famoso escritor austríaco foi marcado ao mesmo tempo pelo interesse e pela sensação de que não devia estar lendo o livro. Ao final, só pude concluir - e reforçar uma percepção antiga - que nenhuma leitura jamais será feita em condições ideais, e pressupô-lo significa ficar parado entre as estantes da biblioteca do mundo, sem saber por qual livro começar. Joseph Fouché foi uma personagem real da virada do século XVIII para o XIX, homem público francês que desempenhou os mais importantes papéis desde a Revolução de 1789 até a restauração dos Bourbon, com a volta ao trono de Luís XVIII, passando, como não poderia deixar de ser, pelo período marcante e incontornável do governo de Napoleão Bonaparte. A lembrança que contemporâneos e posteridade reservaram a Fouché certamente não foi das melhores: o sucesso político e a formação da fortuna p...

Seis Mil Anos de Pão, de Heinrich Eduard Jacob*

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Desse modo, seria pertinente dizer que o essencial para Jacob passa por devolver ao mundo e ao homem o ethos do seu relacionamento com as coisas, ou, com mais rigor, o ethos das coisas que, ao serem revitalizadas na estética da “Sachbuch”, deixam de fato de ser meras “coisas”. E, deixando de ser apenas “coisas”, passam a ser o quê? Passam a ter história própria, em vez de serem meros pretextos ou objetos de manipulação dentro de uma história dos homens que tudo antropomorfiza, passam a ter biografia, passam a ter um destino próprio. E, se assim é, passam também à condição de personagens de narrativas paradigmáticas, nas quais o destino dos homens se joga não em função das deliberações da sua racionalidade, apontada à dominação das coisas, mas precisamente em função de uma lógica da resistência das coisas à racionalidade humana. Em analogia com o que sucedia com o mito antigo, em que o destino dos homens é precisamente a resistência implacável que o acontecer oferece à vontade human...

O Eleito, de Thomas Mann

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O Eleito, de Thomas Mann, é por ora o último livro do autor publicado pela Companhia das Letras como parte do esforço de trazer suas obras completas de volta ao público, e o último que li. Desde que a editora começou essa empreitada, tenho acompanhado o ritmo das publicações para me inteirar da obra do escritor alemão, de modo que não me apresso procurando seus livros já publicados em português mas cuja reedição está pendente; nesse percurso, li todos os reeditados, Doutor Fausto, Os Buddenbrook, A Morte em Veneza, Tonio Kröger, A Montanha Mágica, As Cabeças Trocadas, As Confissões do Impostor Felix Krull e, por fim, O Eleito. Os Buddenbrook se tornou meu livro favorito da vida, coisa rara para mim, que não sou dado a livros da vida. Thomas Mann, por sua vez, se tornou meu autor favorito, talvez o único, já que também não sou dado a autores, estilos ou literaturas nacionais favoritas. O que impressiona em Mann é a regularidade da sua excelência: não considero nenhum dos oi...