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A Peste, de Albert Camus

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Desde que a editora Record passou a relançar as obras de Albert Camus com novo projeto gráfico, venho acumulando seus livros sem no entanto dar-lhes atenção. Fizera uma tentativa com O Homem Revoltado, mas desanimei no meio do caminho, não porque fosse ruim, e sim porque estava indisposto naquele momento a seguir, do princípio ao fim, o longo raciocínio filosófico que o autor desenvolvia. Nessa quarentena, contudo, vi-me estimulado a tentar novamente uma aproximação, desta vez pela via da ficção e do não mais do que óbvio A Peste. De fato, escolher A Peste como leitura neste momento foi, da minha parte, uma escolha clichê. Foi também uma escolha imbuída de certa hesitação, pois talvez não fosse o momento mais adequado para aprofundar a tensão já existente com um tema tão lúgubre por força da sua atualidade. Segui em frente, e não me arrependo de o ter feito. A leitura d’A Peste em plena pandemia do coronavírus é talvez uma oportunidade única para dar expressão não só literári...

Plataforma, de Michel Houellebecq

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O traço mais característico a ser ressaltado na leitura de Michel Houellebecq é a permanente sensação de que se lê uma obra-prima destinada ao cânone, alta literatura da primeira à última palavra. Essa afirmação, ouvida sem maiores esclarecimentos, naturalmente conduz à conclusão de que se trata de um escritor de tom grandiloquente, hábil no manejo dos recursos de boa impressão que a tradição lhe legou; entretanto, essa é uma conclusão inteiramente equivocada: a grandeza do texto de Houellebecq está justamente na sutileza e transparência de sua qualidade - em outras palavras, lê-se as coisas mais banais e até asquerosas percebendo-se as qualidades e intenções mais elevadas que se escondem por detrás. Plataforma é um livro do começo dos anos 2000, anterior a Submissão, livro que levou o autor francês ao conhecimento de um público mais vasto do que o que já conquistara. Nele, acompanhamos pouco mais de um ano da vida de Michel Renault, funcionário público francês de nível medi...