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Anjo Negro, de Nelson Rodrigues

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Em Anjo Negro, o local e o universal são indissociáveis. A um só tempo Nelson Rodrigues retrata o racismo brasileiro e evoca motivos próprios dos mitos e tragédias gregas. O dramaturgo é justamente conhecido por não se deixar deter por pudores na hora de expor as baixezas da sociedade em que vive; seria natural esperar, portanto, que a representação do racismo nacional fosse chocante, tanto é chocante na realidade essa doença social. Todavia, ao se valer da  tragicidade dos mitos gregos na exposição do problema local, o que já era abjeto se torna quase insuportável. Há assim um expurgo, a iluminação de uma chaga com luzes tão fortes que não mais é possível fingir que não se enxerga ou se resignar à inação. A catarse se impõe. A descrição do enredo é por si só desconcertante. Virgínia era órfã e por isso foi morar na casa de uma tia com várias filhas. Entre estas - jovens virgens que enfrentam dificuldades para casar -, certo dia uma delas arrumou um noivo. Próximo ao casamento, Vir...